Mostrando postagens com marcador mário quintana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mário quintana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A missa dos inocentes

Se não fora abusar da paciência divina
Eu mandaria rezar uma missa pelos meus poemas
que não conseguiram ir além da terceira ou quarta linha,

Vítimas dessa mortalidade infantil que, por ignorância dos pais,
Dizima as mais inocentes criaturinhas, as pobres...
Que tinham tanto azul nos olhos,
Tanto que dar ao mundo!

Eu mandaria rezar o requiém mais profundo
Não só pelos meus,
Mas por todos os poemas inválidos que se arastam pelo mundo
E cuja a comovedora beleza ultrapassa a dos outros
Porque está, antes e depois de tudo,
No seu inatingível anseio de beleza!

Mário Quintana

quarta-feira, 10 de junho de 2009

o tempo

O despertador é um objeto abjeto.
Nele mora o tempo.
O tempo não pode viver sem nós,
para não parar.

E todas as manhãs
nos chama freneticamente
como um velho paralítico
a tocar a campainha atroz.

Nós é que vamos empurrando,
dia a dia, sua cadeira de rodas.
Nós, os seus escravos.

Só os poetas
Os amantes
Os bêbados
podem fugir por instantes ao Velho...

Mas que raiva impotente dá no Velho
quando encontra crianças a brincar de roda
e não há outro jeito senão desviar delas
a sua cadeira de rodas!
Porque elas, simplesmente, o ignoram...

Mário Quintana